sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Fernando Machado Soares - BALADA DO OUTONO

Magistral interpretação de Fernando Machado Soares do tema de Zeca Afonso "BALADA DO OUTONO"


Zeca e o fado de Coimbra

Zeca e o fado de Coimbra

(sobre a edição do LP Fados de Coimbra e outras canções - 1981)

"Criou-se aí, sobretudo entra a malta progressista, uma ideia de que o fado de Coimbra é, digamos, um produto reacionário. De inferior qualidade. Que exprimia um sentimento piegas, lamecha, etc. De facto, grande parte dos fados de Coimbra, assim como muitos fados de Lisboa, têm essas características. Mas, o que é certo é que esse tipo de fado correspondeu a um gosto que surgiu, em determinada altura, em Coimbra. Era uma canção mais ou menos dominante, aceite pela classe dominante, aceite pela classe estudantil, mas aceite também por outro tipo de camadas. Por vezes, o próprio estudante alternava a cantar com cantores não estudantes, normalmente em locais ao ar livre." (...)

Por que não se há-de cantar o fado de Coimbra? Agora, fazem-se serenatas monumentais com figuras ligadas à direita, e cantando os fados mais imbecis, com as letras mais tolas e mais atrasadas que se fizeram em Coimbra, devidamente protegidos pela polícia. Quando eu cantava fados de Coimbra nas ruas e não tinha devida autorização, não nos livráramos da intervenção policial, por vezes violenta."

Entrevista de Maria Eduarda a Zeca Afonso publicada na edição nº145 de 9 de dezembro de 1981 do jornal “em marcha”

foto: Zeca no Coliseu do Porto em 1961

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Teresa Paula Brito canta José Afonso

EP, Riso & Ritmo, 1970

Depois de ter cantado “Vai, Maria Vai” no álbum “Contos Velhos, Rumos Novos”, Teresa Paula Brito abraça no seu quinto trabalho a solo várias canções de José Afonso: “Balada do Sino”, “Vejam Bem”, “O Cavaleiro e o Anjo” e “A Cidade”.

daqui:

http://musicaapretoebranco.blogspot.pt/search/label/José%20Afonso

Podemos ouvir "Balada do Sino" com a capa assinada por José Afonso.


(referência a este EP, no MC de Avelino Tavares)

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Lá no Xipangara

"Aos fins de semana, saíamos pela tarde, aparelhados. O Alvaro Simões, que por lá ficou, moçambicano por opção, com a sua câmara fotográfica a tiracolo, eu armado da minha 8 mm. de filmar, e o Zeca. Com todos os comple­mentos da ordem: tripés, jogos de lentes e filtros, fotómetros, gravador, que sei eu. Isto depois de termos espiado o céu, medindo a olho a luminosidade e o “calor” da luz.

E, quando o sol a meio do quadrante perdia o gume de aço, começava a projectar sombras e a desentranhar-se em cores, vagueávamos pelo “Xipangara”, essa outra cidade do caniço que envolve a Beira.

Dos três, era Zeca o único que não dependia senão dele mesmo, num indeterminismo vagabundo que desde sempre foi uma sua segunda natureza, acrescentado da crónica aversão que sentia ou acreditava sentir pela máquina em geral, penso que para melhor defender o seu livre arbí­trio. Levava os olhos e o espírito para ver, naquela peculiar e muito pessoal maneira que era a sua de ver as coisas, captan­do-lhes por debaixo da pele, se assim me posso exprimir, os sinais duma verdade oculta. Via e, claro, cumulativamente, ouvia e registava os sons, o ritmo, a linguagem expressiva dos corpos."

João Afonso dos Santos

foto: João e Zeca

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Chorei!

(depoimento de José Paracana)

"Perfeitamente presente, no espírito, o momento em que recebi a triste notícia da morte do nosso Zeca Afonso!
Morava em Aradas, ao tempo, e foi no sótão que eu usava para ouvir música e trabalhar.
Estava a ouvir rádio, o que nem era tão habitual como isso! O locutor de serviço anunciava que o Zeca tinha falecido!

Chorei, como nunca havia chorado por pessoa que não era da família! Muito! Não que seja eu um durão! Mas a figura amiga do Zé Afonso, que eu tive o gosto de conhecer pessoalmente, de com ele falar, ocupava/ocupa no meu cofre de memórias o gavetão mais sumptuoso, mais apreciado!

(...)

Na guerra colonial, foi com o Zeca, com a sua musa e o seu exemplo, que consegui levar de vencida a terrível e podre situação de antagonismo perante indivíduos que compreendia e respeitava: os guerrilheiros, que "construíam o seu país", como ele escreveu e cantou numa das suas trovas!
Para ele o dinheiro era um acessório, e bem que poderia ter vivido muito mais rico, materialmente, do que viveu.

Já depois do 25 de Abril, certa manhã encontrei-me com ele casualmente: vínhamos os dois no comboio para Lisboa, a partir do norte. E na plataforma, a caminho da saída - seriam umas dez e trinta, meti conversa. Fomos seguindo para a porta, até que ele me perguntou: "Tens aí dinheiro? É que venho de uma sessão de canto livre, em Amares, e aqueles mariolas esqueceram-se de me dar alguma coisa. E eu ainda não tomei o pequeno-almoço!"... Palavras para quê? O Zeca era um dos seres que ultrapassa a concepção mais complexa que possamos conceber! Para ele, o que importava mesmo era o seu semelhante oprimido e explorado! Ele, a quem tantos exploraram, na sua imensa despreocupação com os bens materiais deste mundo...

- "Canta sempre para nós, oh Zeca, que é sangue e seiva a tua voz!" disse o Zé Mário. Eu subscrevo. Todos os de boa vontade o farão, também!"

daqui:

http://guitarradecoimbra.blogspot.pt/2007_02_25_archive.html

Nota: O José Paracana autor deste tema, não tem nada a ver com José Pracana, fadista, falecido em dezembro de 2016)

foto: Zeca em canto livre em (?)

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

"Lua Extravagante" canta José Afonso

O Grupo "Lua Extravagante" é constituído por Filipa Pais, Vitorino, Janita e Carlos Salomé​.

Começou por ser um grupo, depois de um espectáculo, e finalmente um disco.

O grupo surgiu da colaboração entre os irmãos Salomé e, numa primeira fase, Pedro Caldeira Cabral. Foi com ele que, segundo Vitorino, “fizemos as primeiras experiências de utilização da viola campaniça na execução de modas alentejanas, no seguimento da tradição de usar instrumentos como acompanhamento ao cantar em convívios ou pequenas festas.”

daqui:

http://www.pflores.com/luaextravagante/print/biografia.php

Nesta atuação ao vivo no programa de entretenimento "Regresso ao Passado" apresentado por Júlio Isidro em 12-09-1990, dedicado ao ano de 1965, podemos ver, colaborando com o Grupo, Sérgio Mestre (Serginho) e Dudas.

Canto Moço


Nesta outra atuação ao vivo num programa de entretenimento apresentado por Júlio Isidro, dedicado ao Natal em 23-12-1990, podemos ver, colaborando com o Grupo, Sérgio Mestre (Serginho).

Natal dos Simples







quinta-feira, 9 de novembro de 2017

"A Tota a Vela"

(do álbum ao vivo "Qui Té Un Amic" - 1989)

Letra que Zeca ofereceu a Pi de La Serra.

(pesquisa e montagem: Mário Lima)